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Game of Thrones – 6×09 – Battle of the Bastards

Game of Thrones

CONTÉM SPOILERS

E chegou o episódio por que todos esperavam. A hora mais angustiante, mais violenta e mais magnífica da História da Televisão. Enquanto em Mereen, Daenerys toma uma decisão, em Westeros, os bastardos preparam-se para a guerra. Não diálogos abundantes, porque os visuais dominam. E, para quem esperou por toda a ação da temporada, tem aqui tudo aquilo que desejou e tudo aquilo que imaginou.

Battle of the Bastards pode ter poucos diálogos mas não deixa de ter um simbolismo extraordinário. O feminismo destacou-se com estas mulheres guerreiras que cavalgam o ar e cospem fogo e outras que crescem e amadurecem, entrando no jogo que era, até então, dominado pelos homens. O segmento de Mereen é de uma beleza inigualável, onde o nosso olhar não consegue desviar-se um único segundo das bestas fantásticas que sobrevoam o domínio da sua mãe, destruindo os navios dos Mestres inimigos. A fotografia é trabalhada com uma força poderosa e a banda-sonora de Ramin Djawadi atinge o seu auge. É, aqui, que vemos Grey Worm a fazer uso do seu swag numa ceninha curta e deliciosa. É também em Mereen que vemos Khaleesi ceder a um flirt bem interessante de Yara Greyjoy. Um diálogo simples mas motivador que continua a realçar o feminismo da série. Aqui não há raparigas; há mulheres de força, mulheres de armas, mulheres guerreiras, ou seja, mulheres com M maiúsculo.

Na grande batalha que, inquestionavelmente supera todo o hype criado em torno dela, é um exercício inspirado nas batalhas clássicas e medievais o que trouxe um realismo violento ao segmento. Não devo ter sido o único a achar que o pobre Rickon podia ter ziguezagueado um pouco para se esquivar das setas de Ramsay, mas, de facto, tornou-se um elemento essencial para despertar uma raiva desmedida em Jon. Quando a batalha tem início, o nosso coração dispara mas as sequências são tão intensas, violentas e bem realizadas, que não conseguimos desviar a atenção nem por um segundo. E, assim que vemos Sansa chegar com os sodados do Vale e com Littlefinger ao seu lado, apercebemo-nos que: “é agora que este nojento do Ramsay vai de vela!”. Mas, depois de uma despedida sentida do maior guerreiro da batalha (literalmente) que perece após uma última flecha de Ramsay, é Sansa quem assume as rédeas. O final é uma das melhores homenagens cinematográficas até hoje vistas em televisão. Lembram-se de The Lion King? Se se lembram, vão certamente relacionar a morte do bastardo mais horrível de que há memória, com a de Scar no final do filme, quando este é comido pelas hienas. De facto, Ramsay torna-se vítima do seu próprio veneno. E a nossa Sansa age como Simba, discretamente sorrindo depois de a sua jogada ter dado frutos. “Your words will disappear, your house will disappear, your name will disappear, all memory of you will disappear.” – Sabe tão bem ouvir isto! Rest in Pieces, Ramsay!

Portanto, resumindo e concluindo, Game of Thrones atinge o seu auge (da temporada e de toda a série) numa hora de televisão no seu estado mais puro. Battle of the Bastards marca o sucesso criativo da série onde os visuais se tornam veículos do destino de Westeros e os diálogos curtos e diretos ganham uma força inacreditável. Isto é televisão no seu melhor, isto é o que prova que existe uma série rainha e, este, é o melhor episódio que vi em toda a minha vida.

Obrigado Game of Thrones.

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Miguel Sapochnik traz-nos uma obra-prima da televisão. Um episódio magnífico onde a série mostra verdadeiramente o seu poder.

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