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Game of Thrones – 6×10 – The Winds of Winter

Game of Thrones

E pronto… chegámos àquela hora e dez minutos que tanto queríamos ver mas que, de certa forma, queríamos que durasse até ao infinito e mais além. The Winds of Winter encerra uma temporada que, apesar das suas falhas, não deixa de provar que Game of Thrones é a série rainha da televisão.

Em King’s Landing, começam os julgamentos de Loras e Cersei no átrio religioso de Baelor. Os sete septos estão preparados para dar início, ainda que Tommen e Cersei ainda não tenham chegado. Enquanto o primeiro confessa os seus pecados, Cersei apruma-se para a cerimónia. Jaime festeja com os Freys a vitória de Riverrun e prepara-se para regressar a casa. Daenerys conversa com Daario, explicando que o mesmo pode tornar-se uma fragilidade ao avanço da Mãe dos Dragões em Westeros. Olenna Tyrell forja novas alianças e, no Norte, o Inverno chegou. Jon é proclamado Rei do Norte e Sansa é confrontada com as intenções de Littlefinger.

Por onde começar esta análise? Tantas histórias, tanta maravilha, tanto poder. O crescimento da narrativa ganha uma força extraordinária e projeta-se a si mesma para a temporada seguinte (que só chegará daqui a um ano…). A estrela é inquestionavelmente Lena Headey e a jogada de Cersei contra os seus inimigos. Afinal, os julgamentos inverteram-se e High Sparrow confessou o seu falso profetismo com muito fogo à mistura. Fui o único a achar particularmente genial o uso dos “little birds”? Tal como Cersei, ficamos com um sorriso bem rasgado e, embora saibamos que a mamã Lannister é uma pessoa intragável, não deixamos de festejar esta grandiosa vitória com ela. Afinal de contas, o confessionário da “Casa dos Segredos” teve o destino que mereceu. E aquela surpresa de Tommen foi igualmente deliciosa, filmada com perícia e tornando-se metaforicamente a “cereja no topo do bolo”.

Mas estas não foram as únicas surpresas de The Winds of Winter. Os “Starks send their regards” e não até vermos que Walder Frey é castigado por todo o mal que fez, mas especialmente quando alguém profere as palavras: “The last thing you are ever going to see is a Stark smiling down at you as you die.“. Lindo, lindo, lindo. Um twist interessante e que remata esta temporada como sendo definitivamente a mais marcante (positivamente) para os descendentes da Casa dos Lobos. Outra questão interessante foi a colocação de Dorne no grande jogo, algo que muitos temiam como sendo uma história perdida. Olenna, agora completamente sozinha no mundo, procura por uma vingança contra os Lannisters e é com esta deixa que Dorne é trazido novamente para o grande jogo que se avizinha. (P.S. – Olenna é absolutamente magnífica a calar esta juventude que se acha superior e intocável, deixando as “mulheres adultas a conversar”.) Ainda no campo das qualidades de The Winds of Winter vemos o erguer de Jon Snow como Rei do Norte com uma ajuda triunfante da pequena Lady Mormont que vai ganhando cada vez mais caráter. O seu feitio está no sítio, ao contrário de muitos adultos que parecem não estar a perceber exatamente o destino que os aguarda. Sir Davos confronta Melisandre com a morte da princesa Shireen e, embora o desfecho tenha sido previsível, não deixou de ser emocional o suficiente para nos recordamos da pobre menina Baratheon. E a biblioteca? Tão magistral e imponente. Partilho do mesmo fascínio do Sam…

Ainda que The Winds of Winter seja vertiginoso, há algo que me incomoda. Incomoda porque valorizava Game of Thrones por se esquivar das teorias dos fãs, seguindo o seu próprio caminho e apoiando-se na criatividade dos argumentistas. Estas teorias têm sofrido de um hype descontrolado nas redes sociais e este hype torna-se inimigo da liberdade artística. O entusiasmo dos fãs para que os episódios respondam às suas teorias está a tirar o fator da imprevisibilidade da série, que era uma marca inconfundível da sua qualidade. E, mesmo não gostando da teoria, considerei o momento débil, pouco emocionante. Vemos Lyanna ensanguentada (claramente a acabar de dar à luz) e Bran assiste enquanto esta pede encarecidamente a Ned para proteger a criança. Obviamente que Lyanna não dura muito mais mas o que seria um dos momentos mais aguardados da temporada tornou-se banal, sem grande criatividade e demasiado simples. Também aquém das expectativas ficou a ausência de um Inverno temível que está prestes a atingir Westeros. Vemos Khaleesi a avançar triunfantemente pelo oceano mas, da mesma forma que o fogo progride, seria interessante vermos o que o “gelo” anda a fazer.

Ainda que com os seus defeitos, o final de temporada de Game of Thrones é épico, deslumbrante e uma autêntica montanha-russa de emoções, encerrando uma temporada previsível com elegância, choque e conquista. É caso para dizer, venham os Emmys de Lena Headey e de Ramin Djawadi que conduz uma das mais assombrosas bandas-sonoras dos últimos anos.

E para todos os que seguem estas críticas semanalmente, até para o ano!

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The Winds of Winter é um triunfo visual que dá uma conclusão épica a uma temporada com algumas falhas.

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