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The Walking Dead – 5×04 – Slabtown

The Walking Dead

Há uma personagem que tem ficado desaparecida nas entrelinhas da narrativa. Esta personagem é odiada por muitos e tratada com indiferença por outros (do público, obviamente). Esta personagem é Beth, que tinha sido capturada no final da quarta temporada.

Em Slabtown temos a história do que realmente aconteceu. Tal como o início de toda a história de The Walking Dead, Beth acorda numa cama de hospital e observa o cenário pós-apocalíptico de uma cidade destruída na janela. Não sabe onde está, nem com quem está. Conhece então Dawn Lerner, uma polícia que parece estar a chefiar o povo que habita no Hospital de Atlanta, onde Beth aparentemente se encontra. Dawn é dura e severa; é desconfiada e tem uma estranha vontade de ajudar tudo e todos. Tal como a lei da sobrevivência ensinou a Beth, manter um pé atrás é sempre o primeiro passo.

Beth é cautelosa, mas nem assim se desprende da sua inocência e ingenuidade ao socializar com o médico do sítio: Steven Edwards. Parece ter arranjado alguém com quem se sentir minimamente à vontade, mas o que está para acontecer continua a deixar um certo mistério no ar. Beth presencia uma situação macabra em que uma jovem entra de urgência com um braço infetado, de nome Joan (a menina adorável de Whale Rider, Keisha Castle-Hughes), que parece não ser uma novata no local. A ânsia desta personagem nova de querer sumir do hospital intriga a nossa heroína e leva-a a suspeitar dos que o controlam.

Beth alia-se a Noah, um jovem que lava a roupa dos doentes, que a elucida para o que realmente ali se passa. Numa cena perturbadoramente bem filmada, Beth é confrontada com um polícia com tendências fora do vulgar. Há um claro intuito sexual por parte deste e que é colocado como se se tratasse uma pequena demonstração de afeto forçado.

E mais não vou dizer a nível de enredo, senão quase nem dá vontade de ver o episódio. A certeza que nos dá é que Slabtown é um bom exercício individual, ainda que pudesse ter ido mais além. Ninguém estava interessado em Beth, nem sequer passou na cabeça qual o paradeiro dela. Com realização do diretor de fotografia Michael E. Satrazemis, que foi o responsável pelo magnífico The Grove, Slabtown é decente e consegue atingir os seus objetivos. No entanto, há que admitir que faltou algo mais, talvez um pouco mais de violência. Estamos sempre à espera que The Walking Dead não tenha receio de ser explícita demais pois sempre foi essa a sua base.

Apesar de tudo, devo consentir que deram um destino interessante a uma personagem detestável e só por esse esforço, valeu a pena.

(Note-se a abundância do nome Beth na crítica e logo se percebe o quanto individual é este capítulo).

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Average Rating

Slabtown revela o destino de Beth mas fracassa em conseguir manter-nos cativados a 100%, muito porque a personagem é demasiado aclichezada.

  • 60%

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