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The Tudors: Bem-vindos à corte do Rei Henrique VIII de Inglaterra

The Tudors

Bem-vindos à corte do Rei Henrique VIII de Inglaterra, onde mulheres, religião e poder andam de mãos dadas e são a causa de muitas decapitações, mistério e traições. Henrique é um jovem vivaço, um que, como qualquer Rei de 1500, apenas se interessa por andar atrás das moças da corte e em ter os seus cofres recheados. Os seus conselheiros, maioritariamente víboras que insinuam pregar a palavra de Deus e que cospem o seu veneno para subir de posto, vão ensinando Henrique a lidar com os problemas mais importantes do reino. Prometido desde uma idade muito tenra a Catarina de Espanha e pai da sua filha conjunta Mary, Henrique descobre que o prazer carnal e a autoridade de Rei são motivadores de pecados sensuais que percorrem a sua mente, assim que conhece Anne Boleyn. Boleyn (protagonizada por Natalie Dormer) seduz o rei, forçando-o a terminar o casamento com Catarina de Espanha, pondo em causa as ligações do reino com os restantes impérios europeus.

The Tudors é uma obra intensa e pesada, escrita pelo já conhecido Michael Hirst (responsável pela série de sucesso Vikings), que prima pelas prestações extraordinárias do seu elenco e da forte equipa técnica que trouxe ao vivo e a cores a endinheirada corte de Inglaterra. Com um guarda-roupa exuberante, uma banda-sonora adequada e um design de produção à grande escala, The Tudors assenta com um imenso carisma no retrato de uma das versões históricas mais interessantes do país. No entanto, a constante insistência em temáticas políticas e religiosas que, por muito interessante que fossem no início, começaram a tornar-se um ciclo vicioso que torna certos momentos extremamente aborrecidos para os espectadores. O lento desenvolvimento narrativo e os lapsos temporais deitam por terra o envolvimento dos espectadores com a série, uma vez que muitas personagens são descartadas sem aviso e o seu destino é torna-se desconhecido de temporada para temporada. A postura mimada de Jonathan Rhys Meyers é extraordinária e o seu papel é complexo e maravilhoso; o mesmo se pode dizer de Henry Cavill e uns quantos atores convidados que mostraram estarem à altura de interpretar homens e mulheres da nobreza mesmo tendo o seu tempo de antena reduzido.

A escrita de Hirst é pouco aprazível, no sentido em que as cordialidades e linguagem política (sendo esta a parte menos interessante de toda a série) abafam a verdadeira essência de The Tudors: a exposição da igreja católica como um impulsionador da morte de muitos que discordavam com os seus ideais e dos negociantes que aproveitavam qualquer fraqueza do Rei para subir na “cadeia alimentar” da corte. A necessidade que Henrique tem de conceber um herdeiro masculino para o seu trono acaba por arrancar as melhores situações da série, assim que vemos Sua Majestade a cometer adultério, diga-se, “às quatro pancadas” e ver que todas as rainhas a quem concedeu o privilégio não ficaram vivas para contar a história.

Mesmo não sendo uma obra-prima, The Tudors é um retrato fiel da História da Inglaterra que encanta pelas prestações magníficas do seu elenco e desencanta com a sua forte componente política que cai de forma rotineira na narrativa, acabando por arrancar uns quantos bocejos de quem a assiste.

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