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The 100 – 3×07 – Thirteen

The 100

Enquanto o fandom de Lexa se prepara para fazer uma espera à porta de casa de Javier Grillo-Marxuach (escritor do episódio “Thirteen“) com cartazes a dizer “Blood must have blood” é interessante reparar como The 100 consegue incutir mudanças de opinião e de “equipa” nos fãs a cada episódio que passa. Já repararam nisso?
Primeiro Murphy era o palerma e Jaha era o maior por conseguir chegar à terra e ajudá-lo, depois Jaha era o palerma e Pike e a nova facção descoberta viva por Bellamy e companhia é que era, por ser sangue fresco para a série. Entretanto Pike e companhia são os palermas e afinal a história de Jaha é que é interessante.
Já vi bastantes séries, mas esta está certamente no top 10 com mais Twists.

Acho que falo por muita gente quando digo que este era provavelmente um dos episódios mais esperados desta temporada. Não só porque ainda não tinha sido muito bem explicado como tinha sido destruída a 13ª Estação, mas também porque continuávamos sem perceber as circunstâncias. E para além disso ficámos ainda perceber como é que a cápsula da Polaris foi parar à Polis.

Comecemos pelo início. O episódio abre com Murphy a ser interrogado por Titus sobre o símbolo sagrado dos comandantes (infinito), que até ver isso não tinha grande conexão. E num paralelismo com o que se passou 97 anos antes, aquando da guerra nuclear causada por Alie, descobrimos quem é a sua criadora (Becca, que tem o aspecto físico que Alie assume – pormenor interessante). Começamos também a perceber de que se trata o upgrade de Alie (chamemos-lhe Alie 2), e que é a única forma da Estação Espacial conseguir aguentar os 200 anos previstos no espaço. Isto explica a rigidez de regras a nível de natalidade no início da série, bem como as consequências que teve a destruição a Polaris a longo prazo.
A par disso, durante o “Dia da Ascensão” que honra todos os comandantes, Polis prepara-se para responder aos ataques dos Skaikru, barricando a Arkadia de forma a impedir a invasão a mais aldeias de Grounders, o que não agrada a alguns. Nomeadamente a Titus que continua a não ir na onda de Clarke.

Para descomplicar, o mais fácil é dividir esta análise em 3 partes.
-97 anos antes: Descobrir que Alie 2 não é programa informático e sim um chip biotecnológico, torna tudo mais interessante. Chip esse que Becca implanta no seu corpo antes de escapar da explosão da 13ª Estação e chegar à Terra. Graças isso, conseguimos finalmente começar a relacionar a história da Alie com o panorama politico e mitológico (santuário onde está Murphy, com pinturas rupestres) em volta da Polis e dos grounders.
-Polis: As intenções de Lexa em isolar a Arkadia inclui Clarke ficar na Polis. No entanto, tanto Titus como Octavia parecem mais realistas. Titus por temer que os sentimentos de Lexa por Clarke, possam levar Clarke a acabar morta, ou até mesmo Lexa. Octavia porque sabe que Clarke ficar na Polis é sinónimo de mais mortos do lado do Skaikru, devido ao papel diplomático que Clarke desempenha na série.
-Murphy: Tenta perceber/explicar a relação entre as pinturas rupestres e a historia que conhece, assumindo que a Polaris faz parte tanto da história dos Skaikru como dos Grounders.

Clarke acabou por perceber que a decisão correcta era ir com Octavia e ao despedir-se de Lexa, o inevitável acontece, deixando milhares de fãs da “Team Clexa” em êxtase. Este foi provavelmente o momento mais poderoso da série, onde vimos o envolvimento íntimo 2 grandes líderes de povos distintos em conflito, com uma paixão condicionada pela responsabilidade.
Quando Clarke se prepara para ir ao encontro de Octavia, depara-se com Murphy amarrado e Titus com uma pistola, ameaçando-a. Num claro momento de desespero de Titus, justificado pela influência negativa que Clarke tinha sobre Lexa enquanto comandante, começa a disparar. – Sem treino? Tinha tudo para correr mal.
Quando Lexa entra na divisão devido ao barulho, é atingida por uma bala perdida. – E correu!
Caso para ironicamente dizer: Depois da bonança vem a tempestade.

Chegamos ao derradeiro momento, onde todos os pontos se unem.
Enquanto temos Clarke agitada a tentar aplicar os seus conhecimentos medicinais para salvar Lexa, Titus parece tranquilo, pegando em materiais cirúrgicos relativamente raros, entre os Grounders. O que nos deixa confusos.
Lexa, apesar de amedrontada pela possibilidade de poder perder o amor da sua vida, parecia ciente do que estaria prestes a acontecer, fazendo Titus prometer não voltar a magoar Clarke e a fazer o trabalho dele enquanto “Flamekeeper”. O que nos leva a pensar que ela não ia apenas morrer.
“O meu espírito viverá”, “O próximo comandante vai proteger-te” – Duas frases chave face ao que estava prestes a acontecer.
Neste momento, se começasse a tocar a música das revelações finais nos “Saw”, não era de todo descabido.
Na parte de trás do pescoço de Lexa, sob o símbolo do infinito há uma cicatriz idêntica à de Becca, Titus reabre-a e BAAAAM: Alie 2!!!

Por responder:
1- “O meu espírito viverá”, “O próximo comandante vai proteger-te” – Será que parte da personalidade da Lexa, vai passar para o próximo comandante através de Alie 2?
2- Quem era o 8º “Nightblood” da conclave de Lexa?
3- O sangue preto dos comandantes vai de encontro com os implantes sanguíneos que Becca fez 97 anos antes, isto quer dizer que é um líquido que ajuda à sobrevivência da Alie 2 no corpo humano?
4- O que aconteceu depois de Becca ter chegado à Terra? Como se criou toda esta mística em volta da sua imagem?
5- Como é que há inúmeras pessoas com o sangue preto? Becca injectou em várias grounders, tornando-se uma característica genética?

Balanço Final:
1- Passamos a perceber o que representam as pinturas rupestres, com a chegada de Becca à Terra.
2- É também curioso que quando sai da nave e diz às pessoas que aparecem “Estou aqui para ajudar!”, no fato que tem vestido está escrito “Comandante”, a designação usada para quem mais manda, entre os Grounders.
3- Os produtores de The 100, terem escolhido o episódio que se desenrola no “Dia da Ascensão” para explicar o “Porquê?” dos comandantes, foi outro pormenor muito bem pensado, e pormenor a pormenor, esta série vai ficando cada vez mais monstruosa!
4- Titus passa de conselheiro rasco a “Sensei” Mestre em 2 episódios, foi uma evolução astronómica, que deixa as expectativas em altas para com a personagem.
5- O desenvolvimento do episódio com a dança entre o passado e o presente que une 2 histórias, até então sem grande ligação em The 100, foi uma manobra arriscada, mas funcionou lindamente, quase ao nível “Memento”.

O facto deste episódio ter sido tão interessante e revelador, quase nos fez esquecer o quão sortudo é Murphy, (provavelmente o mais sortudo à face da terra), com as suas 100 vidas. A verdade é que no mesmo episódio conseguiu estar preso, escapar, andar à porrada, ser estrangulado, dar uma aula de história, quase levar um tiro, ir a um funeral e perceber que o mundo ainda é mais estranho do que pensava.
Mais um dia em “As Aventuras de Murphy”.

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