Especiais TV

Planet Earth: A natureza a nú contada por David Attenborough

Planet Earth

Todos os que nasceram e cresceram na geração dos anos 90 sabiam que os domingos estavam reservados à hora do almoço, mais particularmente no fim dos desenhos animados da manhã, para o BBC Earth Vida Selvagem que ocupava o horário nobre antes do telejornal da uma. Esta curta hora maravilhosa em que éramos levados para todas as partes do globo e conhecer os animais que habitam o planeta ao nosso lado era uma de enorme prazer. Planet Earth, a mais ambiciosa aposta documental da BBC, é uma série que disseca todo o (pouco e reduzido) ambiente selvagem que apenas alguns seres humanos exploraram até então. É uma viagem essencial para todos os amantes de biologia, um despertar para a mão criminosa do ser humano para com o planeta a que chamamos casa. Uma jornada que é tão minuciosa e tão extraordinária que nos muda completamente a visão do mundo e nos faz refletir nas nossas atitudes cruéis para com as criaturas que partilham o mesmo espaço.

Dividida em apenas 11 capítulos, Planet Earth explora os pólos, as florestas, as selvas, as grutas e todos aqueles lugares que achamos estarem sem vida. A luta da natureza por tentar sobreviver ao constante avanço do crescimento populacional do ser humano tem tanto de magnífico como de estranho. Desde o colorido tom da floresta amazónica a todo o universo alienígena do fundo oceânico, contado com a narração ritmada do veterano David Attenborough, Planet Earth vai para além da simples mensagem ecológica de preservação ambiental, funcionando como um conto para adultos e crianças de que os animais levam uma vida atribulada no meio em que se encontram e que, a qualquer momento, podem desaparecer. As características que definem os diferentes habitats do mundo são únicas, magistrais e delicadas e, mais do que isso, são essenciais para a nossa vida. Todos desempenham papéis importantes na cadeia de eventos que enriquece e sustém a biodiversidade do planeta, desde a folha que cresce na árvore, ao veado que a come e ao tigre que o caça.

Os 11 capítulos são curtos, deixam com água na boca para conhecer estes e muitos outros locais do mundo onde a natureza prospera e vai continuamente lutando para enaltecer todas as suas maravilhas. O espectador vai gradualmente acompanhando os percursos dos animais e é impossível não sentir uma estranha empatia para com eles; empatia esta que nos agarra à ideia de que nós, seres humanos, temos uma horrível mania de nos sentirmos superiores a eles. Não somos melhores nem maiores, quaisquer altivezes e consciencializações são colocados de lado quando vemos um urso polar morrer à fome ou assistimos à morte de uma cria por falta de água. Estes acontecimentos fazem-nos ter a lágrima a querer verter no canto do olho. É nesta revolta que Planet Earth é ecologicamente pertinente e importante, porque mais do que uma viagem por diferentes habitats, é uma epopeia sentimentalista que transforma a visão com que vemos o mundo e os nossos compinchas de quatro (ou mais) patas que vivem sem ajudas num meio hostil e selvagem. Por isso, e para se desligarem do vosso próprio habitat, vejam este magnífico exercício de televisão que é tão obrigatório e que, certamente, irá deliciar-vos.

Soube recentemente que a Netflix vai apostar numa espécie de sequela e não podia estar ainda mais entusiasmado por ela do que pela próxima de Game of Thrones, portanto, têm aqui a vossa deixa.

Comments