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Game of Thrones – 5×10 – Mother’s Mercy

Game of Thrones

CONTÉM SPOILERS

O final mais ansiado de sempre chegou e agora mais um longo ano “dark and full of terrors” nos espera. Mother’s Mercy assinala o auge da trama de George R. R. Martin, sendo que o último capítulo ainda se encontra nas suas mãos a ser terminado. Depois de sacrificar a sua filha Shireen aos deuses, Stannis vê a oportunidade de seguir em frente para a batalha do norte mas logo descobre que as suas ações conduziram a que metade dos seus homens abandonasse a sua causa; nem mesmo Melisandre ficou para contar a história. Apesar de a tempestade invernal ter cessado, a ironia do destino lá ficou e Stannis é emboscado às portas de Winterfell pelos Bolton. A opção de não filmarem a batalha é certamente acertada, uma vez que o próprio espectador já sabe o que vai acontecer mas, eis que Brienne de Tarth surge de dentro dos despojos e faz a justiça pelas suas próprias mãos numa tentativa de vingar o seu primeiro mestre Renly Baratheon. Sansa Stark consegue finalmente escapar do castelo dos Bolton e Reek/ Theon finalmente decide ajudá-la. Arya encontra a oportunidade de se vingar também, ao assassinar Meryn Trant e riscá-lo da sua lista mas a sua ousadia foi bem castigada pelo líder da Casa de Preto e Branco. Daenerys está com Drogon num descampado e o dragão não parece muito interessado em abandonar o ninho e Dany decide procurar ajuda até que encontra um exército Dothraki pelo caminho. Jaime consegue trazer Myrcella de Dorne… bem, pelo menos até ao fim da baía. Cersei decide confessar os seus pecados e é submetida ao mais horrífico walk of shame de que há memória que certamente irá resultar numa nomeação ao Emmy de Melhor Atriz Secundária. Por fim, na muralha, Jon Snow é traído pelos seus compinchas da Patrulha da Noite e o resultado é chocante.

Game of Thrones é atualmente uma das melhores séries da televisão, penso que todos concordarão com isso. O choque, a revolta e a crueldade são valores que nos têm sido ensinados desde que Ned Stark perdeu a cabeça (literalmente); são as características que a tornam única na selva abundante que é a televisão. Estas particularidades tornam-na numa imprevisível saga em que poder e sangue se misturam formando uma sociedade problemática que, tal como na vida real, se tenta aniquilar a si mesma. Em Mother’s Mercy, a morte de Jon Snow não é propriamente chocante por assim dizer, é triste e imprevisível, mas não é verdadeiramente genuína; diria que o walk of shame de Cersei Lannister preenche melhor o lugar em que vemos uma personagem sofrer vagarosamente de todo o mal que criou e a sua humilhação pública consegue arrancar uma prestação corajosa e intensa de Lena Headey. Sentimos que a Rainha-Mãe de King’s Landing se despe perante todos, como que um perdão ao público em casa a ver a série pela sua conduta gananciosa e individualista que gerou bastante controvérsia. Estás perdoada Cersei! Mas a partida de Snow surge forçosamente e, ainda que saibamos que a sua morte está escrita nas linhas de George R.R. Martin, ficamos com a sensação de que surgiu desintegrada do resto da narrativa do episódio. Claro que sentimos uma lasca do nosso coração quebrar, uma lágrima a escorrer pelo rosto involuntariamente, pois era uma das mais influentes e bem trabalhadas personagens da série; mas o tom shakespeariano da sequência de imagem dá a sensação de um possível retorno, como poderão ler em muitos artigos colocados online.

Sou apologista de ele não voltar. Viveu o que tinha a viver e, como já se sabe, quem pratica o Bem é arrumado prematuramente em Game of Thrones. A realização de David Nutter é competente e Mother’s Mercy pode não ser o melhor capítulo da saga, nem o melhor final de temporada de todos os tempos, mas é uma viagem intensa e mágica que lança novas pontas soltas para o ar e injeta um sabor agridoce para o regresso em 2016.

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O season finale de Game of Thrones pode não agradar a muitos mas é arrebatador, poderoso e mágico.

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