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Buffy, a Caçadora de Vampiros e um acontecimento televisivo

Buffy the Vampire Slayer

Há uma série que quando aconselho a alguém, ninguém a quer ver. Não sei exatamente o porquê, talvez seja pela ideia pré-concebida que criam dos tempos da adolescência, se pela temática, se pelo aspeto sobrenatural; essa série é Buffy The Vampire Slayer, criada por Joss Whedon, atual realizador de Avengers.

Em todas as gerações há uma Escolhida, que enfrenta todo o tipo de mal que existe no mundo,ela é a Caçadora de Vampiros. Buffy Summers é a protagonista, uma rapariga que chega a Sunnydale com a sua mãe, recentemente divorciada. Em Sunnydale existe uma Boca do Inferno, que funciona como um portal que cria e desenvolve todo o tipo de criaturas maquiavélicas que atormentam os habitantes humanos das redondezas. Assim que entra na escola secundária, Buffy descobre que o seu destino é maior do que pensa, e a sua jornada começa com a ajuda dos seus amigos Xander e Willow e do seu mentor Rupert Giles.

Não é por nada que Buffy the Vampire Slayer é considerada uma série de culto. A história que floresceu na mente de Whedon tem como base o amadurecimento da mulher e a ideia que rompe com o estereótipo da donzela em apuros frequente nos filmes de terror da década de 90. Buffy, encarnada extraordinariamente por Sarah Michelle Gellar, aprende que combater as forças do mal torna-se um hobby, assim que enfrenta a própria vida e os seus desafios. Lembram-se de Twilight ou a série de sucesso Supernatural? Pois bem, se gostam desses universos, vão ficar a saber que o foco de inspiração para a sua criação surgiu através desta série. Namorar com vampiros e/ ou lutar com todo o tipo de bicharadas do inferno? Não é novidade para quem já absorveu as sete temporadas da Caçadora de Vampiros.

É certo que a série não mantém a sua consistência até ao fim, mas isso acontece em (quase) todas as séries de televisão e, assim que termina a 5ª temporada, temos toda a equipa a brincar e a divertir-se com o tempo que ainda têm de “queimar” para chegar ao fim da sua história. Até mesmo nestes momentos considerados “menos bons”, Buffy triunfa em grande com destaque para um episódio musical (“Once More, With Feeling”). A mente sempre em movimento de Joss Whedon traz-nos um dos melhores episódios de televisão até aos dias de hoje, onde toda a equipa rivaliza com os vencedores dos Ídolos mostrando que estes têm ainda muito que aprender. Vejam lá que nas “brincadeiras” das últimas duas temporadas, os guionistas dizem de caras o significado de Buffy, como uma flor que desabrocha e mostra o seu esplendor assim que amadurece e se transforma numa mulher.

Outro aspeto delicioso é na magnífica construção (em constante atualização) das suas personagens, desde a orientação sexual de Willow até à moralização de Xander, que são dois elementos fulcrais para o equilíbrio da narrativa. As personagens secundárias, de vilões a heróis, são todas elas soberbas e todas elas completam-se umas às outras; vejamos o exemplo de Faith (a maravilhosa Eliza Dushku) que é, também ela, uma Caçadora de Vampiros, completamente o oposto de Buffy. Faith é rebelde, sem preocupações e vê a morte como um passatempo divertido, sem responsabilidades e sempre à procura de sarilhos; é quase como uma metáfora das fases da adolescência que contrapõem a personalidade reservada, responsável e madura de Buffy. Os ensinamentos que Buffy transmite a todos os seus fãs, são essenciais na fase de crescimento dos mesmos, que se camuflam com muita ação e humor. Os sermões dos nossos papás e mamãs quando passamos pelas parvoíces da adolescência são exatamente os mesmos que a série transmite na sua genial complexidade argumentativa.

O amor também vai florescendo, desde o improvável até ao impossível, do platónico ao sentido e todos os envolvidos têm um significado especial, com destaque para Angel, que é vampiro, o grande amor da protagonista e, apesar de ser um vampiro especial (e não, não brilha como bola de discoteca), representa o rapaz “cool” e sedutor, misterioso e inalcançável que todas as meninas procuram conquistar; e Spike, o vampiro irreverente, estiloso, rebelde, descontrolado e com o visual de uma “rock star”, que representa o perturbado indivíduo que esconde o seu lado mole atrás de uma “armadura espiritual” desprezível.

Ou seja, Buffy the Vampire Slayer é uma recriação dos tempos da adolescência que, com uma pitada de genialidade, torna-se essencial para todos nós: seja por sermos filhos que aprendemos a cultivar-nos e a formar a nossa própria personalidade, seja por sermos pais que nos facilita mostrar a cruel realidade do mundo lá fora. Vejam o que a televisão tem de melhor e “não julguem um livro pela sua capa”.

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