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The Walking Dead – 5×01 – No Sanctuary

The Walking Dead

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Este é um dos lemas que mantenho na minha cabeça em relação à mais famosa série de zombies do mundo. Apesar das ambições dos criadores, The Walking Dead oscila constantemente nos episódios. Uns são agradáveis, outros uma valente seca, e ainda aqueles que representam o típico fim de temporada.

A desilusão a cada episódio que passa obriga o espectador a ser cada vez mais exigente com a série. Admito que o facto de os episódios se terem tornado mais monótonos a uma certa altura, apenas reflete o esforço humano numa situação pós-apocalíptica como descrita nos eventos: a permanência no mesmo lugar, as decisões tomadas de forma impulsiva, o recear os vivos acima dos mortos, etc. Digamos que testa o limite do ser humano em questões de sobrevivência.

Rick e a sua trupe caíram nas (más) graças dos habitantes do Terminus, local onde se pensava ser o último refúgio dos vivos. Revelando comportamentos canibalescos, os habitantes do Terminus literalmente comandam uma carnificina a grande escala para preservação dos recursos. A alimentação é escassa e o impacto de marketing, por assim dizer, é eficaz e atrativo. Os cartazes para os viajantes em busca de um último local de paz e segurança funcionam lindamente para atrair potenciais vítimas.

Os nossos heróis seguem a sua jornada a chegar ao Terminus, e quando digo heróis refiro-me a Carol, Tyreese e a pequena Judith. Os restantes estão aprisionados, quase às portas da morte. Ora, Carol e Tyreese continuam em busca do seu grupo e a caminho descobrem um estranho numa cabana de madeira, que aprisionam para dar alguma segurança à bebé de Rick. Carol, no entanto, observa com cautela os residentes do Terminus e logo descobre que os seus amigos estão em apuros. E repentinamente vemos uma Lara Croft em versão grisalha e madura que cria o verdadeiro caos.

O episódio é, até hoje, um dos melhores da série. É incrível como conseguiram enriquecer em 40 e poucos minutos uma série amaldiçoada por rotinas aborrecidas e personagens saturadas. Obviamente que Melissa McBride rouba todo o protagonismo, mas até os momentos de tensão são retratados com um realismo violento.

É caso para dizer que The Walking Dead iniciou verdadeiramente a sua jornada e tem potencial para proporcionar aos seus milhões de fãs um grande entretenimento. O final é inteligente e intenso. Uma pitada de criatividade sublime como raramente temos no meio de tanta seca.

Preocupa-me, no entanto, que depois de um episódio destes, se lembrem de voltar ao mesmo. Os zombies são meros adornos à história e a luta do ser humano é, de facto, uns contra os outros. Na lei da sobrevivência, os fracos morrem, os fortes vivem.

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Um regresso muito bem-vindo com ação fugaz e com a promessa de grandes eventos que se avizinham. Mesmo assim a série precisa de ter cuidado para não repetir os mesmos erros.

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