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Lucifer – 2×01 – Everything’s Coming Up Lucifer

 

Lucifer regressou esta segunda-feira com um episódio que mostrou tanto as forças como as fraquezas da série. Enquanto o início da primeira temporada equilibrou na perfeição as personagens e o enredo principal com o caso da semana, este episódio teve alguma dificuldade em fazê-lo, tendo alguns problemas de ritmo. Depois de um final de temporada que envolveu a morte de Lucifer (Tom Ellis) e a fuga da sua mãe do inferno, foi tudo menos natural saltarmos diretamente para um caso completamente novo, no espaço de dois dias, sem qualquer tipo de transição. O caso em si não foi de grande interesse, oferecendo apenas alguns momentos de humor e paranóia por parte de Lucifer; a série já provou que conseguia criar casos com personagens e enredos interessantes que encaixam na perfeição no enredo principal. Sendo este o início de temporada, era de esperar mais cuidado com o caso ou pelo menos algo um pouco mais pessoal. Esta parte do episódio acabou por roubar tempo a questões mais importantes, em particular um momento entre Chloe (Lauren German) e Amenadiel (D. B. Woodside) que tinha tudo o que precisava para ser uma excelente cena, mas que acabou por parecer apressada e vinda do nada. Também apressado foi o regresso de Dan (Kevin Alejandro) nesta temporada, com direito a pouco mais que uma breve conversa.

Mas Lucifer trouxe também óptimos momentos neste regresso. O episódio introduziu duas novas personagens e fez um excelente trabalho quanto a estabelecer como as personagens que já conhecemos se encontram psicologicamente. Mazikeen (Lesley-Ann Brandt) vai certamente ter um papel maior nesta temporada, que vai passar por perceber qual é o seu lugar entre os humanos, bem como ao lado de Lucifer e Amenadiel. A personagem tem aqui uma excelente oportunidade para ser desenvolvida e pode vir a tornar-se um ponto alto da série. Amenadiel está também a lidar com mudanças que nem ele nem nós compreendemos ainda muito bem. Estas duas personagens juntam-se assim à temática de crise de identidade que explorámos com Lucifer na primeira temporada, agora com perspectivas completamente diferentes.
Uma boa surpresa foi a atitude de Dr. Linda Martin que começa a interrogar-se se está realmente a ajudar Lucifer. Qualquer cena com Rachael Harris acaba por ser uma das melhores de cada episódio, portanto espero que as portas estejam abertas para muito mais desta personagem.
A série introduziu ainda uma nova personagem, Ella Lopez (Aimee Garcia). Ella é uma cientista forense que vai acompanhar Chloe e Lucifer nos seus casos e vai trazer uma nova perspetiva: a de alguém religioso mas com uma mente aberta a diferentes interpretações da sua fé. Explorar esse ponto de vista pode vir a trazer uma nova e interessante faceta à série e o que vimos neste episódio já despertou a curiosidade.

Chloe revelou neste episódio a sua intenção de perceber de uma vez por todas o segredo de Lucifer; e ao mesmo tempo deu-nos uma explicação completamente credível para não querer saber. Resta então ver se esta capacidade de ignorar coisas que não consegue explicar vai sobreviver durante muito tempo ou se eventualmente Chloe não consegue resistir à sua curiosidade.

E finalmente chegamos ao nosso protagonista; Lucifer passou o episódio focado em encontrar a mãe (Tricia Helfer), que está convencido se estar a preparar para se vingar dele. Ver Lucifer aterrorizado desperta o interesse por esta nova personagem, e o episódio fez um bom trabalho a explicar sucintamente como esta se encaixa no passado de Lucifer e na sua dinâmica familiar. Resta agora perceber se a ideia que Lucifer tem da mãe está ou não correta. A adição de uma personagem que deixa Lucifer vulnerável e que tem conhecimento em primeira mão do seu passado pode trazer uma dinâmica bastante interessante à série, se esta for bem explorada e não sufocada pelos casos semanais. Até agora, Lucifer tem feito um bom trabalho a equilibrar ambos, mas a série não parece de todo ter a intenção de colocar os casos num papel mais secundário, julgando por este regresso. Isto não é necessariamente mau quando, como já referi, eles encaixam no enredo principal e o complementam. Este episódio foi um exemplo da situação contrária: a fórmula policial, por muito humor que possa trazer, por vezes prejudica o episódio.

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  • A série não parece de todo ter a intenção de colocar os casos num papel mais secundário, julgando por este regresso.
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