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Game of Thrones – 4×10 – The Children

Game of Thrones

CONTÉM SPOILERS

Chegou, portanto, o último e mais ansiado episódio de Game of Thrones. Um episódio que, ao contrário do antecessor, não se foca numa única personagem, mas sim em todas (ou quase todas) que resistem na série.

The Children começa exatamente onde The Watchers on the Wall acabou; com Jon Snow a dirigir-se para território inimigo e a convencer Mance Ryder que não há já sentido em continuar a combater. O diálogo entre estes é tenso e temos a sensação que a qualquer momento um deles se vira ao outro e é logo uma salgalhada; mas felizmente portaram-se como senhores e tudo acabou por correr bem… até que um exército descomunal começa a chacinar repentinamente os homens de Mance e estamos tão perplexos que nem nos passa sequer pela cabeça quem serão estes misteriosos homens.

A porção de história em que se insere Stannis Baratheon andou muito escondida nesta temporada. E quando o vemos a descer do cavalo, percebemos que realmente andaram a enlevar a sua história porque este andava a angariar um gigantesco exército para invadir Westeros. Apesar disto, o momento auge desta cena é o olhar final entre Jon Snow e Melisandre e deixar-nos a pensar “hmmm… vai haver aqui coisa”.

Avançando… A nossa adorada Khaleesi continua a ouvir o que o povo oprimido de Mereen tem para dizer, até que é confrontada com um homem já de idade que lhe pede encarecidamente para voltar para o seu mestre, pois nunca foi maltratado por este e desenvolveu um grande carinho pelos seus filhos. A jovem Mãe dos Dragões começa a aperceber-se que todas as suas ações têm o reverso da moeda e lidar com as consequências, nem sempre, é fácil. No entanto, mesmo que esta cena tenha tido um enorme relevo para o enredo de Daenerys, o verdadeiro e mais chocante evento foi quando surge um homem que carrega o que parece ser uma criança nos braços. O homem começa a chorar e a soluçar que um dos dragões de Dany matou a sua bebé de quatro anos. Aqui, a líder dos escravos começa a aperceber-se que já não tem controlo sobre os seus filhos e leva-a a tomar a decisão mais difícil de todas: prendê-los. É uma cena forte. Intensa. Ainda que o culpado nem sequer apareça.

Um dos pontos máximos em The Children é a história de Bran, que também pouco vimos nesta temporada. Neste episódio temos uma completa reviravolta naquela que era a parte da história menos interessante por assim dizer. Bran, Hodor, Jojen e a irmã deste chegam ao destino onde o rapaz tetraplégico entende realmente o seu papel no mundo de Westeros (o de seguir o conhecido Corvo dos Três Olhos). Ao atravessarem a neve são intercetados por um exército de esqueletos bem assustador que mata Jojen a sangue frio. Disto, confesso, não estava à espera. Embora não seja uma personagem relevante, morreu de forma cruel. Os restantes conseguem escapar graças à ajuda de uma misteriosa criança, que os leva para as raízes do que parece ser uma árvore “sagrada” e é aí que Bran descobre o seu propósito. As palavras do sábio validam uma teoria que venho a desenvolver para mim mesmo em que Bran será o controlador dos dragões de Khaleesi (atenção, isto é apenas uma teoria).

Arya e The Hound têm um encontro de terceiro grau com Brienne e Podrick e The Hound leva, literalmente, “um excerto de porrada” de Brienne. Ficando quase às portas da morte, Sandor Clegane pede a Arya que ponha fim à sua vida, mas sem resultado. Nem com chantagem o homem consegue fazer-se ouvir. É aqui que vemos o talento da pequena atriz. Ela manteve-se impávida a olhar para o corpo de um dos inimigos que jurou matar, sem nutrir qualquer sentimento de pena. Ela, inclusive, cansa-se de olhar para ele, e parte em retirada, deixando o corpo ainda com vida do matulão ao abandono. Sendo que, no fim, a pequena consegue convencer um grupo de piratas a levá-la na sua aventura pelos mares.

Para terminar, vamos abordar o grande momento de vingança de Tyrion Lannister, numa das mais extraordinárias cenas da temporada. O seu irmão Jaime tenta, juntamente com Varys, resgatar Tyrion do seu destino de morrer enforcado. Ao esquivar-se pelos túneis do império, Tyrion faz uma breve paragem e decide prestar uma visitinha noturna ao seu pai. Nisto, Tyrion descobre Shae na cama do seu pai e, completamente destroçado, põe um fim à vida da prostituta. O espectador fica completamente dececionado com a personagem de Shae, dado que quase foi obrigado a sentir um enorme carinho por ela, devido às circunstâncias das temporadas anteriores. É triste, mas uma atitude muito compreensiva. Isto só vem a aumentar a sede de vingança do pobre anão que já era espezinhado desde o primeiro episódio. Com uma besta nas mãos, Tyrion encontra Tywin na “privy” (como assim o soberano de King’s Landing lhe chama), a fazer uma obra de esterco. A interrupção é fenomenal. E, ainda que Tyrion procure respostas que possam justificar a ânsia que o seu pai tem para o matar, chega à conclusão que mais vale vê-lo morto que vivo. E assim termina a temporada, com o anão a deixar de ser vítima e a ser um herói.

O pior mesmo é saber que estamos perante o último episódio que é tão emocionante que nos deixa completamente desamparados para os 10 meses de espera que se seguem.

Com o estatuto de série mais vista do mundo, a qualidade faz jus às necessidades do público.

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The Children encerra uma temporada repleta de emoções, com muitos twists imprevisíveis e muita ação. É também um episódio, em si, bastante intrigante.

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