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American Horror Story – 4×03 – Edward Mordrake (1)

American Horror Story

Na linha de American Horror Story temos sido apresentados a vários conceitos inovadores como o de aparição espirituosa. Em Coven conhecemos The Axeman, um fantasma revoltado que assassinava as suas vítimas com um machado e que fora ressuscitado pelas jovens bruxinhas. Em Freak Show, vemos a ascensão de Edward Mordrake, um homem com duas faces que endoideceu, e que em todos os Halloween reclama a alma de uma pobre aberração. O conceito não é novo nem particularmente original. A premissa de episódio duplo também não é novidade em American Horror Story: em Asylum tivemos um bizarro confronto com uma Anne Frank em dose redobrada.

Embora as ideias sejam já conhecidas de todos, American Horror Story parece ter sempre um trunfo na manga para aliciar os espectadores a não perderem o interesse nos episódios. Ainda que não seja propriamente fã de Wes Bentley, nem mesmo da sua nova personagem em Freak Show, admiro a componente artística com que a equipa procura incutir ao contar a história de Mordrake em tom de conto à volta da fogueira e com flashbacks filmados em estilo de película antiga.

Conhecemos finalmente as personagens dos já habituais Denis O’Hare e Emma Roberts como caçadores de recompensas, neste caso, de deformidades preservadas destas “aberrações” em museus do oculto. Esmeralda (um nome fictício, clara homenagem à moça cigana de The Hunchback of Notre Dame, conhecida por ter ligações com o mundo místico) é uma vidente que consegue convencer Elsa a recrutá-la ao lhe fazer uma leitura do futuro, realçando o seu potencial como estrela.

As nossas adoráveis aberrações estão de luto por Meep, e A Mulher de Barba confronta o seu destino desagradável com o seu médico. Dell e Desiree estão com problemas matrimoniais, ao mesmo tempo que Bette e Dott têm sonhos/ pesadelos sobre uma potencial separação. Dandy continua com os seus impulsos infantis de se tornar um serial killer e prosseguir com o nosso aterrador palhaço num percurso ainda por definir.

Mesmo que o enredo, neste terceiro episódio de American Horror Story, não tenha sido completamente elucidativo, há imensas referências e alusões ao cinema de terror dos anos 80. Técnicas de filmagem e momentos icónicos que se preservaram dos filmes de Director John Carpenter ou Wes Craven ou mesmo dos contos aterradores de Stephen King. Murphy e Falchuk continuam a manter um registo visual incrível e conseguem afastar o pensamento do público dos conceitos que já não são originais da sua saga.

O sentido moralista da sua escrita continua a ser uma presença constante o que, de certa forma, humaniza ainda mais o circo de aberrações. Num conto de terror há sempre espaço para uma pequena dose de consciencialização, que é algo que parece faltar nas inúmeras mediocridades que têm saído no cinema nos últimos anos.

Para terminar, claro, vou voltar a babar-me um pouco para cima de Jessica Lange que não é mais do que uma senhora trabalhadora e que continua a surpreender a cada aparição que tem ao longo de todos os episódios. Depois de uma excelente adaptação de Life on Mars de David Bowie (Official), a atriz volta a roubar tudo e todos com uma brilhante e arrepiante versão de Gods and Monsters de Lana Del Rey. O momento é visualmente cativante e que reforça a necessidade e a certeza de que Jessica Lange é o rosto de American Horror Story.

E isto não é discutível, mas pode dar azo a algum receio porque Lange já afirmou que esta seria a última vez que participaria na série.

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Conheçam um vilão interessante que irá certamente mostrar mais do ar de sua graça e ainda uma ode a Lana Del Rey cantada magistralmente por Lange.

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