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American Horror Story – 4×01 – Monsters Among Us

American Horror Story

Depois de tanto tempo de espera, eis que American Horror Story volta em força. Para aqueles que não conhecem o seu conceito, fica aqui uma breve explicação: American Horror Story não é propriamente uma série. São várias dentro de um conceito. A premissa criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk acompanha diversas personagens em diversos contextos e cenários; nisto, quero eu dizer, que nenhuma temporada corresponde à outra. Em cada 13 episódios, somos levados para três histórias de horror (agora já na 4ª) em que vemos os mesmos atores desempenharem papéis diferentes. É uma ideia genial e que permite aos seus criadores darem asas à imaginação.

Neste capítulo, Elsa Mars (mais uma brilhante prestação de Jessica Lange), uma sobrevivente da Guerra e aspirante a estrela de cinema, é a dona de um circo de aberrações. Ela consegue resgatar da polícia duas gémeas siamesas, Bette e Dot Tattler (uma dupla e magnífica Sarah Paulson) que são acusadas pelo assassinato da sua mãe. As duas irmãs partilham o mesmo corpo, mas têm duas cabeças, duas personalidades, duas mentalidades. Uma é recatada e cautelosa, a outra inocente e impulsiva. Elsa usa esta sua nova atração para progredir na carreira e aumentar os lucros do circo.

Neste arraial de aberrações conhecemos Ethel e Jimmy Darling, interpretados por Kathy BatesEvan Peters, rostos igualmente habituais em American Horror Story, uma mulher com barba e um rapaz com mãos de lagosta. A mulher mais pequena do mundo também entra, e é adorável!

Entre outras personagens, destaca-se um muito elusivo, aterrador e que irá dar que falar em (quase) todos os episódios: o Palhaço de John Carroll Lynch. É apresentado, portanto, o verdadeiro enigma de “Freak Show”! Stephen King irá ficar com inveja deste palhaço que nem consigo arranjar palavras para o descrever, apenas arrepios profundos, pesadelos, medos, tremores. A personagem é tão misteriosa e tão furtiva que não há forma de escapar, nem de pôr a mão à frente dos olhos!

É caso para dizer que foi um dos melhores arranques da história da televisão, naquela que poderá ser a melhor temporada de toda a série. O visual exuberante, artístico e sumptuoso que Ryan Murphy transpõe quer no argumento, quer na realização é soberbo e infalível. Até a forma como filma tem características importantes que realçam a fração cronológica em que a história se insere. Nota-se um cuidado, um carinho, um rigor. Isto chama-se qualidade, senhoras e senhores.

Para completar este apanhado do primeiro episódio, realço a forte componente argumentativa que é a base da criação de tão ricas personagens e tão ricas histórias. As “aberrações”, sendo elas o foco principal, não são mais do que uma metáfora para os problemas sociais da atualidade. São um conjunto de indivíduos oprimidos, forasteiros, indesejados, que procuram levar uma vida honesta mostrando que o ser-se diferente, ainda que assuste, não é fatal nem prejudicial a ninguém.

Jessica Lange é um vislumbre que nasceu certamente para este papel. Quando digo este, refiro-me a todos os que a atriz interpretou desde o início para a série. Até na voz ganha, com a magnífica interpretação de “Life on Mars” de David Bowie.

Estou muito satisfeito e irei dormir, ou tentar dormir, depois de ver uma obra-prima como esta.

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Monsters Among Us é um começo extraordinário para esta nova temporada de American Horror Story e Jessica Lange é uma força da natureza inigualável!

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