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O Poder da Televisão – Uma crónica doméstica interessante

Televisão

Até há pouco tempo, achava que as séries eram desinteressantes. (Sim, erro meu, eu sei.) Nunca encontrei algo que me puxasse verdadeiramente para me fixar tanto no mundo televisivo até que surgiu uma daquelas que realmente cativou: Game of Thrones. Aí percebi o que tinha perdido até hoje e comecei a “engrenar” no mundo televisivo e agora não consigo parar.

A televisão, neste momento, cresceu bastante. Tem amadurecido com o passar dos anos e nota-se uma clara ânsia de tornar as coisas ainda melhores, de ano para ano, de episódio para episódio. Mas falando no seu todo, que valores podemos nós ver nas mais badaladas séries do momento?

Há já quase 10 anos que levamos com o Sam e o Dean Winchester a combaterem os monstros sobrenaturais, fomos confrontados com os limites do ser humano em Breaking Bad e até ficámos viciados com a filosofia (que pensámos não existir) no trabalho policial em True Detective.

Apesar de haver séries antigas que foram pioneiras de todas as que vemos hoje, somos incapazes de deixar de parte as maravilhas que se consegue nos dias que correm e nos talentos que surgem ano após ano. Porque, apesar de 9 anos passados, Supernatural continua a ser genial à sua maneira, ainda que se note que a história é esticada até à exaustão, vemos que algumas das distribuidoras sabem quando têm que parar, quando já conseguiram mostrar tudo a todos como aconteceu com Breaking Bad e ficamos deslumbrados quando nos deparamos que histórias absurdas dão excelentes frutos à medida que progridem, como em Once Upon a Time. A magia da televisão é, agora, ampla e vasta.

E estas séries são aquelas que nos espelham a sociedade sempre que nos viciamos nelas. Ora vejamos o exemplo de Game of Thrones, a epopeia literária de George R. R. Martin que é uma forma fantasiada de exploração dos podres da nossa sociedade. O autor é implacável, cruel e, acima de tudo, realista. Tudo é um espelho do que o mundo de hoje é. Na luta do poder, não há heróis, nem vilões. Há vitoriosos e derrotados. Há injustiças atrás de injustiças, há incesto, há ganância, há malícia mas também há equilíbrio, generosidade e alma. Nenhuma das personagens é deixada ao acaso e, inconscientemente, somos afastados da realidade neste mundo fictício e fantasioso que não é mais que um reflexo de nós. Todos nós queremos ser um Jesse Pinkman, um Tyrion Lannister, uma Daenerys Targaryen ou até mesmo um Sheldon Cooper, que na sua idiotice é uma das mais carismáticas personagens de sempre. A ideia que temos de que a ficção é ficção e a realidade é a realidade cai por terra abaixo quando somos levados para dentro do pequeno ecrã. É impressionante que, mesmo sem querermos, identificamo-nos com todos estes rostos, todos nós temos pedaços que angariamos ao ver episódios atrás de episódios.

Todos nós sentimos a cumplicidade entre Walter White e Jesse Pinkman, quase como uma falsa sensação de paternidade, conseguimos ver que por muito negro que o coração de alguém seja, há sempre a esperança de que esse alguém encontre amor e uma razão para viver, como em Once Upon a Time, a forte ligação entre irmãos como em Supernatural e tudo isto cresce como uma 2ª família. Ainda hoje é o dia que sinto a falta de FRIENDS (TV Show), a série de comédia mais genial de sempre, cujas personagens são uma pequena família que recordo sempre ao relembrar os episódios. É tão brilhante que ninguém lhe consegue ficar indiferente. É impossível não nos revermos nas situações que lá se passam porque todos nós temos amigos e todos nós passamos por momentos como as personagens da série vivenciam. O legado continua em exibição com The Big Bang Theory que é uma paródia inteligente e que, ainda que com feitios diferentes, as personagens são unidas.

Isto é televisão. Um conjunto de episódios que acabam por ser episódios, também, das nossas vidas. 20, 40 ou 50 minutos de puro refúgio das nossas vidas atribuladas e que nos fazem rir, chorar, sorrir e até interagir com outros. Pequenos cacos de um espelho que, quer sejam passados num mundo fantasiado, quer num ambiente mais familiar, nos reflectem a sociedade dos dias de hoje. Cacos que absorvem o nosso estado de espírito e tornam a nossa vida menos cansativa.

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