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Containment – Series Finale – 1ª Temporada

Containment

O Melhor: Containment conseguiu juntar aquilo que Julie Plec faz de melhor com alguns dos clichés a que não consegue resistir. A série apresentou um excelente elenco, com um grande foco no desenvolvimento de personagens. Investiu bastante em momentos de diálogo que revelaram personalidade e motivações de uma forma natural. Houve também uma preocupação em desenvolver relações que impulsionaram o enredo e que lhe trouxeram um lado mais emotivo, cativando facilmente o público. Destacam-se então sem dúvida as personagens, com uma variedade de experiências, capacidade de adaptação, códigos morais e pontos de vista que nem sempre é vista no canal. Destaca-se também Chris Wood que trouxe pela segunda vez uma prestação excelente a uma série da CW, mesmo nem sempre tendo a vida facilitada pelos diálogos que lhe foram dados. Não quer isto dizer que Julie Plec falhou nesse aspeto; com raras excepções, Containment apresenta os melhores diálogos que a produtora e a sua equipa já escreveram, uma área em que têm falhado noutros projetos. Um dos pontos fortes deste projeto foram os riscos que não teve medo de tomar. Conhecendo o histórico de Plec na The CW, uma série sem medo de se submeter às consequências é bastante bem-vinda. Também interessante foi a adaptação da sociedade a uma situação de medo e escassez de recursos e a forma como as autoridades tentam lidar com esse problema, raramente da melhor forma. E é precisamente este tópico que me leva ao “pior” desta temporada, uma vez que por muito interessante que esse aspeto fosse, foi extremamente mal explorado.

O Pior: O projeto é uma adaptação de uma série estrangeira, e foi lançada na CW, segundo Julie Plec, porque o canal está à procura de televisão “que dê que falar”. A verdade é que Containment falhou nessa missão, nunca sabendo muito bem que tipo de série queria ser. Embora a série tente abordar assuntos relevantes como bioterrorismo e manipulação de opinião pública, pareceu nunca se comprometer por completo a explorar essa parte do enredo. Containment apresentou um grande potencial desde o início, mas falhou em explorar ao máximo os tópicos que queria abordar; foi fácil perceber que a série quis sempre ser mais do que realmente era, mas fosse pelo número reduzido de episódios ou pelo foco exagerado no romance a que Julie Plec parece não conseguir resistir, nunca se conseguiu tornar naquilo que poderia ter sido um projeto extremamente relevante. Mas o que mais me surpreendeu pela negativa foi o final do enredo. Não querendo entrar em spoilers, vendo uma série que foi apresentada desde o inicio como um evento limitado, teve um final que deixou demasiado em aberto. Certamente o canal queria garantir que poderia seguir para uma segunda temporada caso as audiências assim o permitissem, mas fica assim uma sensação de que poderia ter existido uma maior conclusão previamente planeada; embora tenhamos respostas para as perguntas da temporada, este final foi puramente das personagens, completamente focado naquilo em que se tornaram depois desta experiência. Essa abordagem é excelente numa série que acompanha este tipo de situações extremas que levam as personagens ao limite durante um bom número de temporadas, como The Walking Dead ou The 100; mas depois de 13 episódios, que representaram apenas algumas semanas na série, parece um final um pouco limitado.

Ficamos assim com a história de personagens que viveram uma situação difícil e traumática, algumas saindo mais fortes e outras decidindo controlar a sua situação de forma trágica. E fica também a sensação de que no geral, soube a pouco.

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70%
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  • Uma boa exploração da reação do ser humano a uma situação de crise que infelizmente não vai tão longe quanto podia.
    70%

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